Se você está pensando em ganhar dinheiro alugando moto, eu entendo o apelo: é um “ativo” que pode pingar todo mês sem você rodar na rua.
Mas aqui está a parte que define se isso vira renda ou dor de cabeça: o dinheiro aparece no anúncio; o lucro aparece no controle de custos e riscos.
Resumo do artigo
Ganhar dinheiro alugando moto pode funcionar como negócio de fluxo de caixa, mas só quando você trata como operação: triagem, contrato, vistoria, manutenção e provisões.
A faixa “de mercado” costuma girar entre R$ 800 e R$ 1.700/mês (ou R$ 150 a R$ 350/semana), mas o número que importa é o que sobra depois de custos e provisões.
Você vai sair daqui com: (1) um jeito simples de calcular margem, (2) uma tabela completa de custos em R$, e (3) um checklist de proteção para reduzir inadimplência, vacância e desgaste.
Por que o aluguel de moto virou negócio
A demanda de entregas e mobilidade criou um cenário óbvio: muita gente quer trabalhar de moto hoje, mas não tem capital (ou crédito) para comprar uma. Do outro lado, tem quem vê nisso um caminho para ganhar dinheiro alugando moto — cobrando semanal/mensal e reinvestindo.
Só que “parece simples” até a primeira dor: atraso no pagamento, moto voltando com desgaste acima do normal, multas chegando depois, ou a moto parada por 10 dias sem locatário. O jogo real é gestão.
Se você também quer entender o outro lado (a vida de quem roda nos apps), vale ler este guia do GEP: trabalhar de moto em aplicativos: ganhos, frustrações e riscos reais.
Antes de começar: quanto custa operar com segurança
O erro mais caro aqui é gastar todo o capital na moto e ficar “sem pulmão”. Aluguel de moto dá certo quando você consegue atravessar: (1) vacância, (2) manutenção inesperada e (3) atraso de pagamento sem quebrar o caixa.
| Item | Faixa típica | Por que entra |
|---|---|---|
| Moto usada “de trabalho” | R$ 12.000–16.000 | Faixa comum para começar com modelo de alta liquidez. |
| Rastreador + instalação | R$ 300–600 (e R$ 30–50/mês) | Reduz risco operacional e melhora chance de recuperação. |
| Reserva operacional | mín. R$ 2.000 | Cobre vacância + manutenção sem você “matar” o negócio. |
Na prática, isso coloca o “start seguro” em algo como R$ 14.300 a R$ 18.600 (moto + rastreador + reserva). Se você começar sem reserva, você não está alugando moto: você está apostando.
Ganhos: quanto dá para faturar alugando moto
Vamos separar duas coisas: receita (o aluguel) e lucro (o que sobra). A receita varia por cidade, modelo, ano e principalmente pelo que você inclui no pacote (baú, manutenção programada, rastreador, seguro/terceiros, quilometragem).
| Tipo de locação | Faixa mensal típica | Como sobe de faixa |
|---|---|---|
| Básica (PF) | R$ 800–1.000 | Moto bem cuidada + anúncio forte + baixa vacância. |
| Com extras | R$ 1.100–1.300 | Baú + rastreador + pacote de revisão (mínimo). |
| Pacote completo | R$ 1.400–1.700 | Manutenção programada + diferenciação real + ocupação alta. |
E sim, existe anúncio semanal também: normalmente vai de R$ 150 a R$ 350 por semana. Só que semanal costuma aumentar troca de locatário — o que tende a aumentar vacância e desgaste se você não tiver rotina.
Custos: o que derruba o lucro
Para ganhar dinheiro alugando moto de verdade, você precisa tratar custos em três grupos: fixos, variáveis (dependem do uso) e provisões (o dinheiro separado para o inevitável).
O erro clássico é pagar tudo “quando aparecer” e descobrir tarde demais que a margem era menor do que parecia.
| Item | Faixa mensal R$ (uso intenso) | O que isso evita |
|---|---|---|
| Depreciação (provisão) | 200–300 | Você “consumir” a moto sem perceber (e ficar sem capital para repor). |
| Manutenção preventiva (média) | 150–250 | Virar “manutenção corretiva” cara por falta de rotina. |
| Rastreador (mensalidade) | 30–50 (média 40) | Reduz risco operacional e melhora sua capacidade de reação. |
| IPVA + licenciamento (diluído) | 30–50 | A moto parar por documento e você perder o locatário. |
| Seguro (se houver) | 80–150 | Você depender de “indenização do locatário” em caso de perda. |
| Vacância (provisão) | 80–150 | Custos fixos sem receita quando a moto fica parada. |
| Inadimplência/danos (provisão) | 50–100 | “Pequeno prejuízo repetido” corroendo a margem mês a mês. |
Somando tudo, um cenário comum de custos mensais (1 moto, uso intenso) fica entre R$ 630 e R$ 1.030/mês. É por isso que olhar só “quanto dá para cobrar” engana: o lucro nasce quando você domina o custo e mantém a moto ocupada.
Cálculo simples de margem
Use esta régua: Margem líquida estimada = Aluguel recebido − (custos fixos + custos variáveis + provisões).
| Cenário | Receita | Custos | Lucro líquido |
|---|---|---|---|
| Conservador (locação básica) | R$ 1.000/mês | R$ 730/mês | R$ 270/mês |
| Otimizado (pacote completo bem gerido) | R$ 1.500/mês | R$ 900/mês | R$ 600/mês |
Agora o número que quase ninguém calcula: payback (quanto tempo para “voltar” o investimento).
Exemplo prático: investimento total em torno de R$ 15.000 e lucro médio de R$ 400/mês dá retorno por volta de 37 meses. Se você chega perto de R$ 600/mês, o retorno cai para algo em torno de 25 meses.
Dá para ver retornos mais rápidos? Sim, mas eles dependem de combinação agressiva: compra bem feita (preço bom), aluguel alto com diferenciação, ocupação consistente e custo sob controle.
O ponto é: você não precisa “acreditar em promessa”; você precisa rodar seu próprio número.
Simulador de custos
O simulador abaixo te dá uma vantagem. Você pode simular valores antes de por em prática. veja os números com atenção.
Todos os dados que você informar ficam apenas no seu navegador e permanecem salvos mesmo que atualize ou feche a página. Eles só são apagados quando você clicar em Limpar. Nenhuma informação é enviada ou compartilhada.
Plano resumido
Como precificar o aluguel na sua cidade sem se enganar
A melhor precificação é local: você monitora anúncios por alguns dias e compara “o que está incluso”. A mesma diária pode “parecer cara” até você perceber que o concorrente não inclui baú, não tem rastreador e não faz revisão.
| Formato | Faixa baixa | Faixa média | Faixa alta |
|---|---|---|---|
| Diária | R$ 50 | R$ 60 | R$ 70 |
| Semanal | R$ 150 | R$ 200 | R$ 280 |
| Mensal | R$ 800 | R$ 1.100 | R$ 1.500+ |
Regra prática: preço “alto” só se sustenta com previsibilidade para o locatário (manutenção programada, rastreador, clareza de limites e processo). Se você cobra como premium e entrega como improviso, você atrai problema.
Regras e cuidados legais que você não deve ignorar
Se a moto vai ser usada para trabalho em app, um ponto costuma aparecer cedo: EAR na CNH. Em serviços públicos estaduais, a EAR é tratada como observação necessária para uso do veículo em atividade profissional, com exigência de avaliação psicológica.
O Código de Trânsito prevê a inclusão da informação de que o condutor exerce atividade remunerada na habilitação (art. 147, § 5º). Se você ignora isso, pode perder tempo com locatário que não consegue se manter ativo em app por bloqueio/requisito.
Para entender melhor “o que os apps pedem” (e já orientar sua triagem), este conteúdo do GEP ajuda: como funciona ser entregador na 99: cadastro, ganhos e requisitos.
Riscos: o que pode dar errado e como reduzir
| Risco | Como ele aparece | Mitigação (na prática) |
|---|---|---|
| Inadimplência | Atraso vira hábito; quando você percebe, virou “dois meses”. | Caução, regra de cobrança rápida, corte claro e contrato com consequências. |
| Furto/roubo | Mesmo com rastreador, recuperação pode falhar; o tempo corre contra. | Rastreador + cláusula de indenização por FIPE; seguro quando viável. |
| Danos por mau uso | Quedas, pancadas, manutenção “pulada”, freio/pneu no limite. | Vistoria com fotos + inspeções periódicas + cláusula de rescisão por dano grave. |
| Vacância (moto parada) | Entre um locatário e outro, você continua pagando fixos. | Divulgação contínua, rede de indicação e flexibilidade (mensal + plano semanal em baixa). |
Análise GEP
O risco não é “ter risco”. O risco aqui é não enxergar onde ele nasce.
Se você não tem triagem, contrato e processo de vistoria, você vira refém do locatário.
Se você não separa provisões, você vira refém da manutenção.
A boa notícia é que a maior parte do risco é operacional — dá para reduzir com rotina e critérios.
Quer um mapa mental simples para decidir rápido? Pense em três perguntas: quem vai rodar (perfil), como você recupera a moto se der problema (mecanismos de proteção) e quanto você consegue perder sem quebrar (reserva/provisão).
Checklist de proteção do locador
Se você quer ganhar dinheiro alugando moto com consistência, trate isto como “mínimo de sobrevivência”. Não é burocracia: é o que reduz sua chance de entrar em um contrato ruim por pressa.
1) Triagem do locatário: documentos, endereço, contatos verificáveis e evidência de atividade (perfil/conta ativa nos apps, quando aplicável).
2) Contrato claro: pagamento, multa/juros, responsabilidade por multas e danos, regras de devolução e rescisão.
3) Caução: valores praticados costumam ficar entre R$ 300 e R$ 1.000 (ajuste por risco, moto e histórico do locatário).
4) Vistoria de entrega e devolução: fotos, quilometragem, pneus, freios, itens quebrados e registro de “como foi entregue”.
5) Provisões mensais: separar manutenção e reposição antes de considerar “lucro”. Misturar tudo é o caminho mais rápido para “lucro falso”.
Modelo de contrato básico
Dica: preencha os campos e clique em Baixar PDF (na janela que abrir, selecione Salvar como PDF).
LOCATÁRIO + VEÍCULO
LOCADOR + CONDIÇÕES
Campos críticos aparecerão sublinhados no PDF.
Impostos e formalização: o que observar
Se você está estruturando isso como negócio, é comum aparecer a dúvida de enquadramento e atividade. A classificação 7719-5/99 é usada como referência para “locação de outros meios de transporte… sem condutor”.
Ela ajuda a orientar pesquisa, mas não substitui validação do seu caso (especialmente se você incluir serviços no pacote).
Importante: aqui o GEP mantém postura educativa. Regras tributárias podem variar por cenário e por atualização. Se você for formalizar, confirme sempre em canal oficial e, quando possível, valide com um contador.
Minha opinião
Ganhar dinheiro alugando moto pode valer a pena quando você tem: (1) disciplina de provisão, (2) processo de triagem e vistoria, e (3) margem que resiste a vacância e manutenção.
Se você está contando com “dinheiro fácil”, a chance de virar dor de cabeça é alta. Se você trata como operação, vira negócio.
» Aprenda: se você quer transformar renda em um plano (sem depender de sorte), siga a Trilha 4 Passos do GEP e encaixe este tema no seu diagnóstico e no seu orçamento.
Se você quer ver outras rotas de renda com apps (para orientar o locatário ou diversificar), vale conhecer: 99Freelas: como funciona a plataforma de bicos e também usar as calculadoras financeiras do GEP para projetar fluxo de caixa.
Perguntas frequentes
Quanto dá para ganhar alugando moto por mês?
Preciso de EAR para alugar a moto para entregas?
Qual é o maior risco de ganhar dinheiro alugando moto?
Como eu calculo o valor de indenização em caso de perda total?
Existe CNAE específico para locação de moto sem condutor?
FONTES E REFERÊNCIAS
- Poupatempo SP (inclusão de EAR na CNH). Abrir
- Detran.SP (serviço de inclusão de EAR). Abrir
- Planalto (Código de Trânsito Brasileiro — Lei nº 9.503/1997). Abrir
- IBGE/CONCLA (CNAE — consulta online). Abrir
- Portal do Empreendedor (gov.br). Abrir
- Receita Federal (gov.br). Abrir
- Tabela FIPE (consulta oficial). Abrir
- Acesso em: 25 de janeiro de 2026.





