Decidir entre álcool ou gasolina é uma daquelas contas que parecem pequenas, mas se repetem a semana inteira — e, no fim do mês, viram dinheiro real. O preço do litro no painel do posto engana porque o etanol rende menos quilômetros por litro. A boa notícia é que dá para resolver isso em segundos com uma calculadora simples (e, se você quiser, com um cálculo mental rápido).
Neste guia, a prioridade é prática: primeiro você usa a calculadora; depois eu te explico, com calma, o que mudou com a gasolina E30, por que a regra dos 70% funciona como atalho e quando vale ajustar a “regra” ao consumo real do seu carro.
Use a calculadora agora
Se você está no posto (ou com os preços na mão), use a calculadora primeiro. Ela já te devolve o resultado do jeito certo: qual combustível sai mais barato por quilômetro, e qual é a margem de diferença.
Calculadora Álcool ou Gasolina
Regra prática: se Álcool < 70% do preço da Gasolina, o Álcool compensa.
| Etapa | Expressão | Valor |
|---|
Resumo do artigo
- O que importa é o custo por km: litro “mais barato” nem sempre significa viagem mais barata.
- Gasolina E30 em 2026: a mistura de etanol na gasolina aumentou, o que mexe na comparação.
- Regra dos 70% é atalho: funciona como referência rápida, mas pode variar por carro e uso.
- Seu carro tem uma regra própria: dá para calcular a paridade com base no seu consumo real (km/l).
- Quando a regra falha: frio, trânsito, manutenção e qualidade do posto mudam a conta.
Por que a escolha entre álcool ou gasolina pesa no bolso
A maioria das pessoas compara combustível pelo preço do litro. Só que o seu gasto real é outro: é o custo por quilômetro rodado. E é aqui que o etanol costuma confundir, porque ele entrega menos energia por litro. Em termos práticos, o carro tende a fazer menos km/l com etanol do que com gasolina — então o etanol precisa ser proporcionalmente mais barato para compensar.
Quando você roda bastante, um “erro de escolha” repetido toda semana vira um desperdício silencioso. A diferença pode parecer pequena em um abastecimento, mas em 4 ou 5 no mês ela aparece. A forma mais limpa de cortar esse desperdício é sempre a mesma: comparar o custo por km (a calculadora faz isso em segundos).
O que é a gasolina E30 e por que isso mudou a conta
Em 2026, a gasolina vendida nos postos é conhecida como E30 porque a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina subiu de 27% para 30% e passou a valer a partir de 1º de agosto de 2025. Essa mudança foi aprovada pelo CNPE e acompanhada por ajustes de especificação para manter qualidade e padronização.
O detalhe que vale ouro: quando você abastece “gasolina”, você já está abastecendo uma mistura. Então, a comparação correta não é “etanol vs gasolina pura”; é etanol hidratado vs gasolina E30. Isso não torna a regra dos 70% inválida, mas explica por que alguns carros modernos aproximam a paridade de 70% para algo um pouco acima, dependendo de motor, trajeto e temperatura.
Se você quer uma decisão “cirúrgica”, o caminho não é decorar um número — é entender a lógica e calibrar com o consumo real do seu carro. E isso é mais fácil do que parece.
Regra dos 70%: o atalho rápido (e por que ele é só um atalho)
A regra dos 70% nasceu de uma ideia simples: se o etanol rende cerca de 70% do que a gasolina rende (em km/l), ele precisa custar até 70% do preço da gasolina para empatar no custo por km. É por isso que muita gente faz a conta: preço do etanol ÷ preço da gasolina. Se der 0,70 ou menos, etanol tende a fazer sentido; se der acima, gasolina tende a ganhar.
Só que, na vida real, “70%” não é uma lei da física para todos os carros. Existem motores flex que aproveitam melhor o etanol, existem rotas (muita cidade, muita subida) em que o consumo muda, e existe clima frio que derruba o desempenho do etanol nos primeiros quilômetros. Por isso, em vez de tratar a regra como verdade absoluta, eu trato como o que ela é: um gatilho rápido para decidir em segundos — e um convite para você descobrir a paridade do seu próprio carro.
Exemplo rápido (mental)
Gasolina a R$ 6,00 → 70% = R$ 4,20. Se o etanol estiver a R$ 4,10, a paridade tende a favorecer o etanol; se estiver a R$ 4,40, a tendência favorece a gasolina.
Quer evitar erro? Use a calculadora e olhe o custo por km.
Como calcular do jeito exato: custo por quilômetro
Quando eu quero zerar a dúvida, eu abandono “regra” e vou no que não discute: custo por km. A fórmula é curta:
preço do litro ÷ consumo (km/l) = custo por km.
Um exemplo com números fáceis só para enxergar o mecanismo: se a gasolina custa R$ 6,00 e seu carro faz 12 km/l, o custo é R$ 0,50 por km. Se o etanol custa R$ 4,20 e seu carro faz 8,5 km/l, o custo é cerca de R$ 0,49 por km. Nesse cenário, o etanol ganha por pouco. Se o etanol subir para R$ 4,50, a conta vira.
A calculadora resolve isso sem você pensar. Mas, se você quiser entender o que ela está fazendo, é isso: converter o preço do litro em “preço de estrada”.
Como descobrir a sua “regra pessoal” em 15 minutos
O número que realmente importa é a paridade do seu carro: (km/l no etanol) ÷ (km/l na gasolina). É isso que define se o seu “70%” é 0,68, 0,72 ou 0,75. A ideia não é transformar abastecimento em planilha; é fazer um teste prático e guardar um número simples.
O jeito mais honesto de medir é sempre o mesmo: abastecer até o automático, zerar o hodômetro, rodar um tanque, abastecer de novo e dividir km rodados pelos litros. Faça isso uma vez com gasolina e uma vez com etanol. Com dois números na mão, você tem sua regra pessoal.
A partir daí, você nem precisa decorar 70%. Você faz a conta assim: etanol compensa quando preço do etanol ≤ preço da gasolina × (seu fator).
Fatores além do preço que mudam a decisão
Na prática, eu gosto de olhar esses fatores quando a diferença entre os dois combustíveis está pequena (por exemplo, quando a calculadora mostra vantagem abaixo de 3% a 5%). Quando a vantagem é grande, a matemática costuma ganhar fácil. Quando é apertado, contexto manda.
Clima frio costuma piorar a eficiência do etanol no uso urbano curto, especialmente em partidas e primeiros quilômetros. Trânsito pesado e “anda e para” também mexem no consumo, e alguns motores reagem melhor com um combustível do que com outro. A qualidade do posto é outro ponto: etanol adulterado (com água além do permitido) derruba rendimento e distorce qualquer regra.
E tem o fator manutenção, que parece conversa de mecânico (e é), mas pesa no bolso: pneu murcho, vela cansada, filtro ruim e motor fora de ponto aumentam consumo de ambos. Quando o carro está desregulado, você pode estar tentando “otimizar combustível” com uma conta perfeita, mas gastando mais por causa do básico.
Quando a regra dos 70% falha – e o que fazer
A regra falha quando ela tenta ser universal. Em veículos mais eficientes no etanol, a paridade pode passar de 70%. Em veículos que penalizam o etanol (ou em trajetos que penalizam), a paridade pode cair. Em vez de discutir “qual é a regra certa”, o que funciona é: medir o seu carro e ajustar.
O segundo caso em que a regra falha é quando você perde o controle da variável “qualidade”: se o combustível não entrega o que promete, a conta vira areia movediça. Se o carro muda consumo de forma estranha de um posto para outro, trate como sinal e priorize posto confiável.
| Ponto de comparação | Gasolina E30 | Etanol hidratado |
|---|---|---|
| Como decidir | Costuma ganhar quando etanol está acima da paridade | Costuma ganhar quando está abaixo da paridade (regra rápida ou sua regra) |
| Consumo (km/l) | Referência do carro (varia por modelo e uso) | Normalmente menor; varia bastante em frio, trajeto e ajuste |
| Melhor cenário típico | Viagens, constância de consumo, clima frio | Preço competitivo, uso urbano, motor bem ajustado |
Pontos positivos e pontos negativos
| Pontos positivos | Pontos negativos |
|---|---|
| Economiza rápido quando você decide por custo por km, não por impulso. Também é uma conta simples de repetir toda semana. | “Regra única” pode errar para alguns carros e climas. E combustível ruim derruba qualquer cálculo, por melhor que seja. |
Análise GEP
A melhor forma de decidir entre álcool ou gasolina não é decorar um número, e sim repetir um método simples: olhar preços, aplicar a calculadora e, quando fizer sentido, ajustar com o consumo real do seu carro. O ganho aqui é prático e imediato: você para de trocar dinheiro por quilometragem ruim. E quando essa economia vira hábito, ela costuma abrir espaço para outras decisões financeiras melhores no dia a dia.
Perguntas frequentes
Posso misturar etanol e gasolina no tanque?
A regra dos 70% ainda vale em 2026 com gasolina E30?
Quando a calculadora é mais importante do que o cálculo mental?
Por que meu carro “anda mais” com etanol, mas gasta mais?
Com que frequência vale refazer a conta?
Quer economizar em decisões do dia a dia, não só no combustível?
A economia que sobra no abastecimento é uma das mais fáceis de transformar em hábito. Se você quiser organizar isso junto com orçamento e metas, a Trilha de 4 Passos te ajuda a colocar método no que parece “pequeno”, mas pesa no mês.
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FONTES E REFERÊNCIAS
- Planalto — CNPE aprovou E30 (27% → 30%) e vigência Abrir
- ANP — Ajustes e especificações para gasolina com E30 Abrir
- ANP — Alterações de resolução para especificações da gasolina com E30 Abrir
- Santander — Explicação prática da paridade (regra dos 70% como referência) Abrir
- INMETRO — Tabelas do PBE Veicular (consumo varia por modelo e condições) Abrir
- Acesso em: 18 de janeiro de 2026.





