Pedir aumento de salário trava muita gente boa, e quase nunca é por falta de coragem. Você ensaia a frase, escolhe o dia, e na hora engole. O que falta, de verdade, é uma coisa só: prova.
O chefe não vai subir o seu salário porque você precisa. Vai subir se enxergar que te pagar mais sai mais barato do que te perder. E isso se monta antes da conversa, com número. É o que você vai ver aqui.
Resumo do artigo
O gestor decide pelo que você resolve, não pelo esforço ou pelo tempo de casa.
Antes da conversa, vire cada entrega sua em número. Frase vaga não convence.
Reajuste repõe a inflação (IPCA 2025: 4,26%). Aumento de verdade é o que vem acima disso.
Peça um intervalo, não um valor cravado, e deixe espaço pra contraproposta.
Veio o sim ou o não, cada um tem um próximo passo que você dá no dia seguinte.
O chefe não paga pelo seu esforço. Ele paga pelo que você resolve
Parece duro, mas é assim que a conta roda do outro lado da mesa. Quando você pede aumento falando de esforço, de tempo de casa ou de conta pra pagar, o gestor ouve um custo. Quando você mostra o que resolveu, ele ouve um retorno. São duas conversas diferentes, e só uma costuma terminar em sim.
Pensa no mercado. Você só tira um produto da prateleira quando o que ele entrega vale o preço na etiqueta. O seu chefe faz a mesma conta com você: o que essa pessoa entrega paga o que ela custa, e paga um pouco mais? Na conversa, o seu trabalho é deixar a resposta óbvia pra ele.
Foi o que a gente destrinchou no artigo de produtividade no trabalho: guardar, mês a mês, o que você entregou que a empresa não teria sem você. Aquela lista não era exercício de autoajuda. Era munição pra hoje.
Transforme esforço em número: o que mostrar pro chefe
Frase solta não convence ninguém. “Me dediquei muito”, “sempre ajudo todo mundo”, “faço mais do que o meu cargo”. O chefe já ouviu isso de dez pessoas. O que vira argumento é a mesma ideia com número do lado.
Repara na diferença:
Os exemplos com número acima são ilustrativos. Use os seus, e só o que for verdade.
Não precisa ser número de relatório de multinacional. Precisa ser seu, e precisa ser real. Um dado concreto vale mais que três adjetivos.

Antes de pedir, saiba quanto você precisa de verdade
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Quanto pedir? Separe o reajuste do aumento de verdade
Tem uma diferença que quase ninguém separa, e ela decide o número que você vai levar pra mesa. Todo começo de ano o salário costuma receber um reajuste, que só repõe a inflação. Em 2025, a inflação oficial (IPCA) fechou em 4,26%, segundo o IBGE. Se o seu salário subiu só isso, o seu poder de compra ficou igual. Não foi aumento, foi empate.
Aumento de verdade é o que vem acima da inflação, pago pelo que você entrega. Por isso, na hora de pedir, trabalhe com um intervalo, não com um valor cravado. Algo como “entre 8% e 12%” te dá margem pra negociar e mostra que você fez a lição de casa. Pesquisa antes a faixa do seu cargo em sites de vaga, pra não chutar alto demais nem de menos.

Na hora da conversa: o que evitar antes do que fazer
Primeiro o que não fazer, porque é o que mais derruba pedido bom:
- Não puxe a conversa em semana de corte, prejuízo ou clima pesado no setor. O momento conta tanto quanto o argumento.
- Não use a sua conta pessoal como motivo. “Minha prestação subiu” é problema seu, não da empresa.
- Não ameace sair se não estiver pronto pra sair mesmo. Blefe furado queima a sua imagem.
Agora o que fazer: marque um horário, nada de abordar no corredor. Leve a sua lista de entregas, diga a faixa que pesquisou e fique pronto pra ouvir uma contraproposta. Se o salário não puder subir agora, bônus, folga, curso pago ou um plano com meta e data também são formas de ganhar mais.
Veio o sim? Veio o não? Os dois têm próximo passo
A conversa pode terminar dos dois jeitos, e cada um pede uma atitude diferente já no dia seguinte.
Se veio o sim: cuidado pra não comemorar gastando. Um aumento de R$ 300, por exemplo, some rápido se não tiver destino antes de cair na conta. Decida pra onde ele vai: uma parte pra reserva, o resto pro que já estava apertando. Se o orçamento vive estourando mesmo com mais dinheiro entrando, o problema não é o quanto entra, e a gente mostrou isso em a regra 50/30/20 que não fecha.
Se veio o não: não é pra desistir. Não é pra desistir. E não é pra se achar menos. Pergunta ali mesmo o que precisaria mudar pra o sim vir, e combina uma data pra retomar, daqui a três ou seis meses. Anota o que ficou combinado. Agora, se o não se repetir sem explicação por muito tempo, o seu aumento mais rápido pode ser trocar de lugar. Aí a conta é outra, e vale pensar com calma.
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» Aprenda: Produtividade no trabalho: como provar o seu valor
» Saiba mais: Como calcular a sua reserva de emergência
» Veja também: A regra 50/30/20 que não fecha, e o que fazer
Faz uma coisa hoje, antes de pensar em marcar qualquer conversa: abre as notas do celular e escreve três entregas suas deste mês, cada uma com um número do lado. Só isso já te coloca na frente de quem entra na sala só com vontade. Obrigado por ler até aqui, e boa conversa quando ela chegar.
Perguntas frequentes
Quanto de aumento dá pra pedir?
Em geral, um intervalo acima da inflação do ano, algo entre 8% e 15% dependendo do seu cargo e do mercado. Pesquise a faixa da sua função em sites de vaga antes de fechar o número.
É melhor pedir aumento por e-mail ou pessoalmente?
Pessoalmente, num horário marcado. O e-mail serve pra pedir a reunião, não pra fazer o pedido em si.
Posso pedir aumento com pouco tempo de casa?
Pode, desde que tenha entrega pra mostrar. Tempo de casa sozinho não é argumento; resultado é.
E se o meu chefe disser não?
Pergunte o que precisa mudar e marque uma data pra retomar. A resposta de hoje não precisa ser a resposta final, e o seu preparo continua valendo na próxima.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação profissional de carreira ou jurídica. Os valores em reais são hipotéticos, usados só pra ilustrar a conta. Índices de inflação e faixas de salário mudam com o tempo; confira os dados atualizados antes de decidir.
FONTES E REFERÊNCIAS
IBGE, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): acumulado de 2025 em 4,26%, divulgado em 09/01/2026.
Transparência editorial: o GEP pesquisa como o tema é tratado no mercado e usa dados de fontes oficiais, como o IBGE. Não recebemos nada pra indicar empresa ou plataforma. Quando houver link de produto nosso ou de parceiro, ele vem sinalizado.



