Quanto ganha para trabalhar no Mercado Livre em 2026? Dá para fazer duas rotas? Quem entra em entrega com o carro (ou utilitário) geralmente descobre rápido uma verdade simples: não é “salário”, é operação. Em 2026, o Mercado Livre aparece para muitos motoristas em dois caminhos práticos: o Envios Extra (modelo por oferta de percurso no app) e o modelo de Agregado via transportadora (rotina mais fixa e negociada com terceiros). Entender essa diferença é o que separa quem organiza margem de quem apenas “roda muito e sobra pouco”.
Resumo do artigo
- Envios Extra: funciona por oferta de percurso; a referência pública mais citada é de ganhos que podem chegar a R$ 240,00/dia, mas varia por cidade e disponibilidade.
- Agregado: costuma ter mais previsibilidade, porém exige rotina e negociação (saída, paradas, distância e regras da transportadora).
- Duas rotas no dia: é possível em alguns cenários, mas depende de hub, horários e disciplina de carregamento.
- Lucro real: a conta que manda é custo por km + tempo parado (portaria, PNR, devolução, fila de carregamento).
- Documentos: para trabalho profissional, a CNH com EAR costuma ser exigida, e a inclusão envolve avaliação psicológica.
Envios Extra vs. agregado: onde normalmente está o dinheiro?
Antes de pensar em “quanto dá”, vale decidir qual tipo de agenda você quer (e qual risco você aguenta). Os dois modelos podem pagar bem no bruto, mas cobram coisas diferentes do seu dia.
Envios Extra (app): tende a ser mais flexível. Você vê as ofertas e aceita quando faz sentido para você. O ponto crítico é que a disponibilidade pode oscilar e, em algumas regiões, a concorrência por rotas deixa a renda instável.
Agregado (transportadora): costuma ter rotina mais previsível (horário e volume), mas você fica amarrado às regras e aos indicadores do contrato local. Em troca, quem opera bem costuma ganhar em constância.
Quanto dá para faturar?
Existe uma referência pública bastante citada de que o Mercado Livre pode permitir ganhos de até R$ 240,00 por dia no Envios Extra, mas isso não significa “garantia diária”: a oferta depende de demanda, hub, horários e regras da praça. Use como ordem de grandeza, não como promessa.
| Modelo / veículo | Faixa de bruto diário (exemplos de mercado) | O que mais pesa |
|---|---|---|
| Envios Extra (referência pública) | Até R$ 240,00 (variável) | Oferta de percurso, horário e deslocamento até a área |
| Agregado (carro de passeio) | R$ 180,00 a R$ 320,00 | Tempo parado (portaria) e organização do carregamento |
| Agregado (Fiorino/Kangoo) | R$ 210,00 a R$ 450,00 | Volume, rota bem “fechada” e baixa taxa de devolução |
| Agregado (van/VUC) | R$ 400,00 a R$ 650,00 | Custos fixos altos e necessidade de densidade de entregas |
Importante: bruto não paga conta sozinho. Seu lucro real depende de custos (combustível, manutenção, pneus, depreciação, seguro, tributos do MEI) e de uma variável silenciosa: tempo parado.
A conta que manda: custo por km + tempo parado
Um jeito prático de sair do achismo é transformar seu dia em números. A lógica é simples: quanto você gasta para rodar 1 km e quanto tempo você perde em pontos que não geram entrega (fila, portaria, prédio sem acesso, endereço ruim).
Passo 1 — custo por km (estimativa): some combustível + manutenção (média mensal) + pneus (provisão) + seguro + tributos do MEI + uma margem para imprevistos. Divida pelo km médio do mês. Isso vira seu “piso”.
Passo 2 — produtividade (entregas por hora): conte quantas entregas você faz por hora em rota boa e em rota ruim. Se a rota ruim derruba sua produtividade, o “bruto” que parecia bom vira prejuízo na prática.
| Item | Como medir | Por que importa |
|---|---|---|
| Combustível | Km do dia ÷ km/l do seu carro × preço do litro | É o custo que mais “morde” quando a rota espalha |
| Manutenção e pneus | Provisão mensal (ex.: revisão + pneus ÷ meses) | Se ignorar, a “surpresa” chega com juros |
| Tempo parado | Minutos em portaria/fila por entrega | É o ladrão de lucro que ninguém vê no extrato |
| Devoluções/PNR | Quantidade por dia + tempo perdido por ocorrência | Derruba produtividade e aumenta km sem receita |
Dá para fazer duas rotas no Mercado Livre?
Sim, é possível em alguns cenários, mas você precisa tratar isso como logística (não como “força de vontade”). Em geral, duas rotas só fazem sentido quando você consegue: (1) carregar cedo, (2) entregar rápido sem ficar preso em portarias e (3) voltar a tempo para pegar outra onda de demanda.
O padrão que funciona melhor na prática: carregar no início da manhã, trabalhar uma região “fechada” (bairros que você já conhece) e organizar o carregamento por sequência de entrega ainda no galpão. O objetivo é reduzir minutos perdidos por pacote.
Se você quer tentar duas rotas, use uma regra simples: só vale insistir se a segunda rota for mais curta, com deslocamento pequeno até o primeiro ponto e baixa chance de devolução. Se a segunda rota te joga longe, a conta do combustível fecha a porta do lucro.
O que pode dar errado na rota e como reduzir o prejuízo
O maior risco do entregador raramente é o valor da rota. É o descontrole do dia. Abaixo estão os pontos que mais derrubam a margem e o que fazer para reduzir o impacto.
1) PNR e devoluções: quando o pacote não é recebido, você perde tempo, aumenta km e ainda pode voltar com volume para reprocesso. O antídoto é padronizar tentativa de contato, registrar ocorrências do jeito certo e evitar “discussão de portaria” que come 15 minutos por entrega.
Veja como reduzir PNR e devoluções sem estourar seu tempo de rota.
2) Endereço ruim e condomínio travado: se você precisa “negociar” cada entrega, sua produtividade cai. Uma prática que ajuda é separar no começo do percurso as entregas de condomínio e fazer em bloco, com tempo reservado, em vez de ficar alternando casa e prédio.
3) Atrasos e percurso estourado: quando a rota estoura, você precisa decidir rápido: concluir e proteger o recebimento ou encerrar e aceitar perda proporcional. Trate isso como gestão de risco: não “salve o dia” jogando sua segurança e seu carro no limite.
Requisitos que costumam travar o cadastro (CNH, EAR e MEI)
Documentação é o tipo de detalhe que não rende nada no dia, mas decide se você trabalha ou não. Para atuação profissional, a CNH com EAR (Exerce Atividade Remunerada) aparece como requisito comum: a inclusão envolve avaliação psicológica e solicitação no Detran do seu estado.
Além disso, o Envios Extra costuma exigir CNH vigente e formalização (CNPJ/MEI) e, em alguns casos, atividade econômica compatível com entregas. Se a sua região é mais rígida, ajustes de CNAE e conferência de documentos do veículo podem ser a diferença entre “aprovado” e “pendente”.
Confira o guia do MEI para entregadores e evite travas comuns no cadastro.
» Aprenda: Trilha 4 Passos (organize sua renda e custos)
Perguntas frequentes
Posso entregar com carro de terceiros ou alugado?
O Mercado Livre paga combustível e pedágio à parte?
É preciso ter EAR na CNH para ser entregador?
Quanto tempo leva para o cadastro ser aprovado?
Próximo passo para não rodar no escuro
Se você quer transformar entrega em renda de verdade, o ponto de virada é simples: controlar custo por km, rotina e documentos. Isso dá previsibilidade, mesmo quando a oferta oscila.
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Este conteúdo é informativo e pode sofrer mudanças por regras locais, contratos de transportadoras e atualizações de programas. Para decisões formais, verifique sempre as páginas oficiais e o seu Detran estadual.
FONTES E REFERÊNCIAS
- Mercado Livre (blog): explicação sobre EAR e inclusão com avaliação psicológica — ver fonte.
- Detran-SC: EAR e etapas do processo (inclui avaliação psicológica) — ver fonte.
- IstoÉ Dinheiro: referência pública de ganhos que podem chegar a R$ 240 por dia (citando o Mercado Livre) — ver fonte.
- Mercado Livre (página de cadastro de motorista parceiro): requisitos contratuais específicos podem variar por modelo — ver fonte.
Acesso em: 12/01/2026





