Um estudo da Descarbonize Soluções comparou o custo de 12 rotas turísticas brasileiras rodadas de carro elétrico e de carro a gasolina — de praia a serra, em diferentes regiões do país. Na Serra do Rio do Rastro (SC), por exemplo, a mesma viagem custou R$ 93,33 de gasolina contra R$ 23,73 de energia elétrica. Olhando o conjunto das 12 rotas, a economia com o elétrico chegou a 72% em relação à gasolina.
Números assim despertam a curiosidade de quem está pensando em trocar de carro: quanto isso custaria na minha casa, com a minha conta de luz? Este texto reúne o que ajuda a responder essa pergunta — como calcular o gasto real de energia, quanto custa carregar os elétricos mais vendidos no Brasil, o que uma instalação em casa envolve e como isso se compara ao carro a gasolina.

Quanto se perde de energia entre a tomada e a bateria
Uma curiosidade que poucos comentam: a energia que entra na bateria não é exatamente igual à que sai da tomada. Segundo a ADAC (entidade alemã de referência em mobilidade elétrica), a perda de energia durante o processo de recarga — em forma de calor, na conversão de corrente alternada para contínua — fica entre 10% e 15%. Outras fontes do setor no Brasil confirmam a mesma faixa.
Por isso, ao calcular o custo de recarga, vale considerar uma margem de 10% a 15% a mais do que o cálculo teórico da bateria sugere — é isso que uso nas contas deste artigo.
Como calcular o custo na sua conta de luz
O valor do kWh que entra na fatura tem alguns componentes — a tarifa de energia em si, mais impostos como ICMS e PIS/COFINS, além da bandeira tarifária do mês. Somados, esses itens levam o custo efetivo do kWh residencial a algo entre R$ 1,30 e R$ 1,80 na maior parte do Brasil, variando por estado e distribuidora.
Para saber o seu número exato, a conta é direta:
Valor total da fatura (sem iluminação pública) ÷ consumo em kWh = custo efetivo do seu kWh
Para as contas deste artigo, uso R$ 1,50/kWh como referência, por ficar no meio da faixa nacional — mas vale repetir o cálculo com a sua fatura para um número mais próximo da realidade.

Os elétricos mais vendidos no Brasil
O BYD Dolphin Mini lidera as vendas entre os elétricos de entrada, a partir de cerca de R$ 115.800, com bateria de 38,8 kWh e autonomia de ~280 km. O BYD Dolphin, maior, tem bateria de 44,9 kWh, ~340 km de autonomia e preço a partir de R$ 149.800. O GWM Ora 03 aparece com 48 kWh (Skin) ou 63 kWh (GT), autonomia de 330 a 400 km, a partir de R$ 150.000. O Renault Kwid E-Tech tem a menor bateria do grupo — 26,8 kWh — e autonomia de ~185 km. E o BYD Yuan Plus traz 60,5 kWh e ~420 km, na faixa de R$ 185.000.
Quanto custa carregar cada modelo em casa
| Modelo | Bateria | Carga completa* | Autonomia |
|---|---|---|---|
| Renault Kwid E-Tech | 26,8 kWh | ~R$ 44 | ~185 km |
| BYD Dolphin Mini | 38,8 kWh | ~R$ 64 | ~280 km |
| BYD Dolphin | 44,9 kWh | ~R$ 74 | ~340 km |
| GWM Ora 03 Skin | 48 kWh | ~R$ 80 | ~330 km |
| BYD Yuan Plus | 60,5 kWh | ~R$ 101 | ~420 km |
| GWM Ora 03 GT | 63 kWh | ~R$ 105 | ~400 km |
*Estimativa com tarifa de R$ 1,50/kWh e margem de ~10% para perdas na recarga. Use a fórmula acima com a sua fatura para o valor exato.
Para dar uma dimensão: um tanque de carro popular a gasolina custa entre R$ 250 e R$ 350 para rodar distância parecida — perto da diferença observada no estudo de rotas citado no início. Antes de chegar nesse comparativo mais a fundo, vale conhecer a parte prática: o que muda na garagem para essa conta funcionar.

O que uma instalação em casa envolve
Carregar em casa pede um circuito próprio, separado das outras tomadas — essa é a exigência central da norma técnica brasileira para o tema, a ABNT NBR 17019. O circuito inclui um disjuntor dimensionado para a potência do carregador, proteção contra surtos (DPS) e um DR com sensibilidade específica para veículos elétricos (tipo B, ou tipo A combinado com outro dispositivo), porque a recarga pode gerar um tipo de fuga de corrente que o DR comum não detecta.
Materiais de mercado — quadro de distribuição, disjuntor DR compatível, DPS, cabos de bitola adequada e eletrodutos — costumam somar entre R$ 800 e R$ 1.500 para uma instalação residencial padrão, segundo profissionais do setor elétrico. Contratando um eletricista ou engenheiro para projetar e instalar, o valor sobe com a mão de obra, e varia bastante conforme a distância até o quadro de energia e o tamanho da instalação. A norma prevê que o projeto seja assinado por um profissional habilitado, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrada no CREA — vale pedir orçamento a mais de um profissional antes de decidir.
Casa própria ou condomínio: o processo muda
Quem mora em casa tem mais liberdade: contrata o profissional, faz o projeto e instala o ponto de recarga na própria garagem.
Em condomínio, entra uma etapa a mais. A instalação de um carregador individual costuma exigir autorização da administração, porque mexe com a capacidade elétrica do prédio inteiro — se vários moradores carregarem ao mesmo tempo, a demanda pode ultrapassar o que a rede do condomínio suporta. Prédios mais novos, em algumas cidades com legislação específica, já nascem com infraestrutura preparada. Em prédios mais antigos, costuma ser necessário um estudo técnico da carga elétrica disponível antes da aprovação em assembleia. Por isso, o primeiro passo de quem mora em condomínio é conversar com o síndico ou a administradora, para entender o que já existe e o que precisa ser avaliado.

Quanto custa carregar em posto público
Fora de casa, o preço depende da rede e do tipo de carregador. Alguns shoppings e estabelecimentos oferecem recarga lenta gratuita como cortesia. Nos carregadores rápidos, o mais comum é a cobrança por kWh, entre R$ 1,80 e R$ 2,80. Algumas redes somam ainda uma taxa fixa por sessão.
Em números: uma recarga parcial de 20% a 80% no Dolphin Mini (cerca de 23 kWh), a R$ 2,20/kWh, sai por volta de R$ 51 — contra R$ 38 pela mesma recarga em casa. O posto público funciona bem como solução de viagem; a recarga em casa tende a ser a base do dia a dia de quem tem essa possibilidade.
A cobertura de eletropostos pelo país
O Brasil tem mais de 14.000 pontos públicos de recarga, segundo a ABVE — um número que mais que dobrou nos últimos dois anos. A maior concentração está em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e a cobertura nas capitais e grandes rodovias já permite viajar com planejamento. Em cidades menores, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a rede ainda está em expansão. Para quem carrega em casa e usa a rede pública como apoio ocasional, isso pesa pouco no dia a dia. Para quem depende de viagens frequentes entre cidades, vale conferir a cobertura da região antes de decidir.
Custo por quilômetro: elétrico e gasolina lado a lado
| Cenário | Custo por km |
|---|---|
| Elétrico em casa (R$ 1,50/kWh, ~16,5 kWh/100 km com perdas) | R$ 0,25 |
| Elétrico no posto rápido (R$ 2,20/kWh) | R$ 0,36 |
| Carro a gasolina (12 km/l a R$ 6,50/l) | R$ 0,54 |
Carregado em casa, o elétrico custa menos da metade do que custa rodar de gasolina — proporção parecida com a que o estudo da Descarbonize Soluções mostrou nas 12 rotas comparadas, com economia de até 72%. Quem ainda roda com motor a combustão e está em dúvida entre álcool e gasolina no carro atual encontra essa conta pronta na calculadora de álcool ou gasolina.

Em quanto tempo o carro se paga
Rodando 1.200 km por mês, a diferença de custo entre elétrico e gasolina fica perto de R$ 350 mensais. Comparando o BYD Dolphin Mini (a partir de R$ 115.800) com um hatch a gasolina de porte parecido, como o Chevrolet Onix (a partir de cerca de R$ 85.000 na tabela FIPE), a diferença de preço de compra fica em torno de R$ 30.800.
Dividindo essa diferença pela economia mensal de combustível, o retorno chega perto de 88 meses — pouco mais de 7 anos e meio, considerando só o combustível. Esse número é uma simplificação: não entra seguro, IPVA, manutenção (que costuma ser mais barata no elétrico, com menos peças móveis e sem troca de óleo) nem depreciação — fatores que podem encurtar bastante esse prazo. Quem roda mais de 1.200 km por mês tende a ver esse retorno bem mais rápido.
Para organizar essa decisão dentro do orçamento, a calculadora da regra 50-30-20 ajuda a ver onde a troca se encaixa nos gastos fixos e na reserva.
O que fica dessa conta toda
O custo de carregar um elétrico em casa fica, na maior parte do Brasil, entre R$ 44 e R$ 105 por carga completa, e o custo por km gira perto de R$ 0,25 — bem abaixo da gasolina, na mesma linha da economia de até 72% observada no estudo de rotas citado no início. A parte que pede mais atenção é a instalação: um circuito próprio, com as proteções certas, e — para quem mora em condomínio — uma conversa com a administração antes de qualquer obra.
Para organizar as finanças enquanto a decisão amadurece, a Trilha 4 Passos ajuda a estruturar renda, custos fixos e reserva de emergência.
Perguntas frequentes sobre carregar carro elétrico
Quanto custa para carregar um carro elétrico em casa?
Quanto custa carregar um carro elétrico no Brasil, em média?
Qual o custo por km de um carro elétrico?
A recarga aproveita 100% da energia que sai da tomada?
Posso carregar na tomada comum da garagem?
Quanto custa instalar um ponto de recarga em casa?
Moro em condomínio, o que preciso fazer antes de instalar um carregador?
Tem eletroposto em todo lugar do Brasil?
Carro elétrico vale a pena no Brasil?
FONTES E REFERÊNCIAS
- Descarbonize Soluções — estudo comparativo de custo em 12 rotas turísticas brasileiras, elétrico x gasolina. Abrir
- âmbar-e — eficiência de recarga e perdas de energia, com dados da ADAC (Allgemeiner Deutscher Automobil-Club). Abrir
- ABNT NBR 17019:2022 — Instalações elétricas de baixa tensão, requisitos para alimentação de veículos elétricos.
- NeoCharge — instalação de carregadores residenciais e em condomínios. Abrir
- ABVE — Associação Brasileira do Veículo Elétrico: dados de emplacamento e infraestrutura de recarga. Abrir
- ANEEL — Tarifas residenciais por distribuidora e regras da tarifa branca. Abrir
- Tabela FIPE — referência de preço do Chevrolet Onix 2026. Abrir
- BYD Brasil, GWM Brasil, Renault Brasil — especificações dos modelos citados.
- Acesso em: julho de 2026.













